“Homem culto, bem lido e familiarizado com o génio grego e o conceito helénico de paideia em sua forma mais desenvolta e cristalina; mestre amadurecido no saber e no modo de o transmitir com propriedade, Fílon de Alexandria não teve certamente o propósito expresso de produzir uma obra de arte, mas o de interpretar uma obra já em si perfeitamente concebida, elaborada e consolidada (Deter. 133), o de defender uma causa a seu ver indiscutivelmente justa, usando com probidade e naturalidade todos os seus recursos literários, artísticos e de estrutura para a fazer reviver no seu próprio contexto”. Em resultado de uma nova e inspirada leitura de Moisés, Fílon “investiu finalmente todo o seu engenho e arte numa obra em que se cruzam os três grandes vectores culturais da civilização ocidental” (Manuel Alexandre Júnior, Argumentação Retórica em Fílon de Alexandria, Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1990, pp. 335-336).

 

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