Nascido em Alexandria no coração da diáspora da nação judaica, Fílon de Alexandria viu a sua obra preterida no seio do seu próprio povo, mas reconhecida e abundantemente citada na literatura patrística pelos Pais da Igreja ao longo dos primeiros séculos do Cristianismo.
Fílon de Alexandria (cerca de 20 a.C. a 50 a.D.) surge na encruzilhada de três grandes civilizações da antiguidade: a judaica, a grega e a cristã; civilizações que profundamente marcaram a cultura ocidental. A obra monumental deste filósofo judeu de Alexandria deixou marcas indeléveis na literatura e na exegese cristã dos primeiro séculos da nossa era. A maior parte dos seus tratados sobreviveu graças à matriz filosófica, cultural e espiritual que representa e à forma como essa matriz se radicou nas estruturas mais profundas da nossa civilização.
Daí a oportunidade de um projecto como o nosso; projecto que visa não só começar a traduzir para português os tratados do grande pensador judeu dos alvores da nossa era, mas também aprofundar conhecimentos relativos à sua vida, obra, influência e recepção. Faz, pois, todo o sentido o projecto que abraçámos – Fílon de Alexandria nas Origens da Cultura Ocidental. As marcas da influência do pensamento filoniano na dinâmica hermenêutica da filosofia grega da época e na cultura judaico-cristã de que também se nutriu a nossa civilização a tanto nos motivam e inspiram.