Na minha infância eu tive uma casa mas não um lar, pessoas a viver debaixo do mesmo tecto mas não uma família. Infelizmente, e cada vez mais, muitos dirão o mesmo. E entretanto a família é uma criação de Deus, bem mais que uma instituição: não um projecto humano de conveniência, mas um desígnio divino e, como tal, uma comunhão de fé, esperança e amor. Os pais foram destinados a ser os primeiros educadores dos seus filhos.
Nestes tempos amargos de tão grande crise, nem sequer são os valores materiais que mais se afundam. Eles próprios são a consequência natural de crises bem mais radicais e profundas: as crises morais e espirituais da verdade, da credibilidade, do amor, da própria honra.
A história repete-se. Em vez de uma cultura da integridade, da pureza e do amor desinteressado, é-nos imposta uma civilização das coisas e não das pessoas; a tirania de uma civilização em que as pessoas se usam como se fossem objectos descartáveis, de mera satisfação pessoal e enquanto nos servem: a mulher um objecto de prazer para o homem e vice-versa, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição que cerceia as liberdades.
“Honra o teu pai e a tua mãe como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Deuteronómio 5:16). Este é o grande mandamento de Deus para a família, para a sua coesão interna, para a sua felicidade.
Honra foi palavra chave em todo o mundo ocidental até décadas atrás; é uma das grandes virtudes cristãs enquanto carácter, dignidade, integridade, alta estima. Vergonha e honra são palavras que tendem a desaparecer da linguagem corrente, porque a falta de pudor, a imoralidade, a corrupção e a desvergonha se instalam. Honra continua a ser para o verdadeiro cristão uma virtude singular. O mandamento do nosso Senhor aos filhos é: Honra, respeita, trata com a mais elevada estima o teu pai e a tua mãe; mandamento que de forma indirecta diz também aos pais: Pais, sejam igualmente dignos dessa honra, honrando os vossos filhos e filhas também.
A família é a primeira escola do ser humano, e a educação conferida no lar lança os fundamentos da personalidade humana. Os pais são os primeiros e os principais educadores dos seus filhos. E uma das áreas em que a família é insubstituível é a educação religiosa. A família que teme a Deus cresce como “igreja doméstica”, como um verdadeiro polo de evangelização e discipulado cristão.





